Ó Deus, livrai-me das mesmices femininas!

Inspirado a partir do texto do blog da

Ana Veet Maya.

As coisas vem mudando… A uns 20 anos atrás, as mulheres deveriam ser mais “putinhas” para viverem. Hoje as coisas são totalmente diferentes…

- A Taty? Mais bonita que a Márcia? – dizia um garoto da minha sala.

- SIM! SIM! – respondeu alucinada uma garota que odiava a Márcia. Enquanto Márcia olhava com despeito aquela magrelinha engraçadinha e desengonçada.

Eu me assustei quando me colocaram na frente dessa tal Marcia no concurso de beleza da sala de aula. Porém, perceberam o engano e me retiraram da lista. E eu nem “tchum”. Sentei e voltei as aulas.

E bonita? Nunca me interessei por essas coisas de beleza, de se eu conseguisse ficar com aquele garoto, quantos garotos eu conseguiria ficar… Maquiagem? Roupa curta? O que queria mesmo era apenas dar risada na sala de aula! E tive a infelicidade de me apaixonar pelo garoto mais bonito e mais tímido da sala. Era mórmon. Ele não podia namorar antes dos dezesseis anos, devido a sua crença (que, coincidentemente, também segui).

Marcia era a garota mais “descolada” da escola: namorava com os garotos mais bonitos, conseguia qualquer um que quisesse e era super bem vista com aquele corpão que ela tinha. Eu era mirradinha, magrinha, engraçada e desajeitada, com os dentinhos salientes e cabelo sempre solto na cara. E só ria! Falava e ria! Os professoras ficavam doidos! Me divertia quando contavam besteirsa. E o engraçado é que as meninas ficavam com raiva de mim porque os garotos mais bonitos da sala eram meus grandes amigos. Por que eu era bonita? Não, porque eu era diferente das outras. Não me preocupava com que roupa eu iria pra escola, se eu estava bonita realmente para agradar tal pessoa, mas eu brincava com os professores, contava as piadas mais engraçadas e os garotos me achavam divertida, embora me zoassem também.

E bonita? Bonita era a Thaís que estudava. A Lucilene que era fã dos Backstreet Boys e decorava as letras em inglês. A Carla, minha melhor amiga, que adorava crianças.

Alguns anos se passaram e eu fui crescendo. E as diferenças foram mostrando.

Thaís se formou numa excelente universidade. Lucilene conseguiu bolsa para estudar nos Estados Unidos. Carla é professora do pré primária, super satisfeita com o trabalho. E Márcia, coitada, uma moça gorda, mãe solteira que se impressionou ao me ver de mãos dadas com um rapaz de mais de 1,80 de altura, olhos esverdeados e rosto bem definido: meu namorado.

E lembram da menininha feia da escola? A Taty? Que foi retirada da lista das mais bonitas? Pois é…

Uma vez, na quermesse da igreja (era a única diversão que eu tinha com minhas amigas, até a época que as quermesses se tornaram antro de tiroteios e drogas), minhas amigas estavam em grupo comigo conversando. Eis que me aparece um lindo rapaz de mais ou menos 20 anos (tinha 15 na época) loiro, cabelos esvoaçantes, olhos de um tom verde magnífico que de longe via o brilho tenso daquele olhar, extremamente perfumado, alto… um deus grego, quase literalmente, me abraçando e me dando um beijo no rosto.

- Puxa! Que bom te ver, Taty!

Minhas amigas olhavam para ele de queixo caído.

- Estou alí com meus amigos. Depois a gente se fala. – e partiu.

- Bonitão, né? – disse a elas que respondiam com “uau, que homem lindo! Que homem lindo!”. – Pois é: fiquei com ele!

As minhas amigas só não deixaram o copo cair porque… mas o baque foi muito grande para elas, enquanto meu ego era aguçado.

Enquanto muitas precisavam usar toneladas de maquiagem, eu apenas era eu. Enquanto gastavam granas com roupas caras, eu apenas vestia minhas velhas camisetas de Rock and Roll. Lápis no olho era o suficiente. Não gostava de ser como as outras meninas, não gostava de ser igual, não curtia a mesmice. Era eu. Não era a “putinha” da escola e tampouco a nerd, mas era genuínamente Tatiane, a doidinha!

E não para por aqui: minha mãe sempre falava que eu nunca namorava, mas meus namorados sempre foram homens bonitos. E meu marido, cá entre nós, um gatão! Um gordinho sexy, inteligentíssimo e que demonstra bastante sentimentos por mim.

Antigamente sim, as mulheres que eram consideradas “putinhas” conseguiam o que quer. As de hoje se tornaram burras, dançam axé, mostram a bunda (e pensa com ela), acham que são belas sendo vulgares. Eu não! Não sou tão bonita, não tenho corpo definido, mas me garanto!

E parafraseando a frase da Ana:

- Mãe, eu não quero ser como as outras meninas. Quero ser eu mesma, porque ultimamente, sendo assim, eu vivo mais e intensamente.

Quem me conheceu, sabe que eu era igual a personagem Toph do desenho Avatar

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2 Respostas para “Ó Deus, livrai-me das mesmices femininas!”

  1. Amei seu texto, Taty ! Que bom que o meu te inspirou a também fazer o teu relato. Queria agora ler o relato de uma dessas meninas que você diz que pensam com a bunda … hehe Com certeza elas também tem um outra visão do mundo que eu adoraria conhecer. Nem putinha, nem santinha, nem nerd, nem nada. Sejamos sempre autênticas ! Viva a diferença !!!!! beijos e abraços, minha querida amiga
    ANA VEET MAYA
    http://anaveetmaya.blogspot.com/

  2. Bem… Apesra denão ser da mesma religião da Taty, eu sei o que é estar fora da lista das mais bonitas e descoladas..(sim, eu sei).
    Até meus 13 anos eu era gordinha, tímida .. uma verdadeira “ostra”.
    E era excluída por quase todos da sala.
    Depois, me tornei aquela ruivinha doida que é roqueira…
    E hj sou, mãe deuma ruivinha magrela, que tbm não se encaixa nos padrõesde beleza de hj, e que tbm éa esquisitinha que quer tocar guitarra e gosta de Ozzy.
    Sabe o que eu digo á ela?
    O mesmo que a Taty disse, o mesmo que a Ana disse.
    Sim pq no fim elas disseram a mesma coisa…
    Nós somos diferentes, mas somos especiais, somosquem somos e ponto.
    Sou eu, é a Taty, é a Ana, é a Natália.
    Somos diferentes, desses padrões estúpidos que a sociedade nos impõe.
    Quer saber?
    Sou feliz por ser diferente, por ter capacidade, de conviver com pesssoas diferentes de mim , por ser capaz de compreende-las.
    Parabéns pelo texto.

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